A Simplicidade do Evangelho

Vivemos uma época em que o estrelismo se faz cada vez mais forte ante as conjunturas sociais e religiosas. É comum encontrarmos outdoors com imagens de cantores, artistas, bispos, pastores, padres, etc.

Quando isto está presente na exterioridade dos meios é preocupante e, muito mais quando se faz presente no interior – o pensamento dominado pelo desejo de querer aparecer e fazer sucesso, ser notado/a pelos outros. No que atine à religião, em especial, líderes lutam para mostrar quem trabalha melhor, quem é mais organizado, quem tem eventos mais atrativos, quem prega melhor, quem canta melhor, quem tem o maior número de membros e por fim, quem tem mais poder financeiro. Uma série de pessoas se vê refém de igrejas altamente competitivas, de pensamentos complexos, de fé estressante e vivência religiosa distante da simplicidade do Evangelho – a imagem do Cristo que se assenta para ensinar multidões no monte é substituída pela do grande Deus que está cercado de anjos, riquezas e nos julga severamente todos os atos. As pregações cheias de argumentações que pouco apresentam as verdades divinas, valorizam o ter em detrimento ao ser, o obedecer em detrimento à liberdade de expressão, a auto-justificação em detrimento à justiça divina, a vida simples proposta pelo Evangelho é substituída por uma vida cristã perdida nas fábulas teológicas e nas ideologias de homens que precisam ser pastoreados ao invés de pastorear. Perguntado certa feita sobre o possível fim do Metodismo, João Wesley respondeu: “Não me importo se o Metodismo acabar, mas me preocupo que os homens se degenerem e percam a essência do verdadeiro Evangelho”.
O pensamento de Martinho Lutero ao escrever o credo luterano, reflete bem a simplicidade do pensamento religioso direcionado pelo Evangelho: ” Creio que Deus criou a mim e a outras criaturas, que me deu corpo e alma, olhos, ouvidos, braços e pernas, razão e sentidos. Que diariamente me provê roupa e calçado, comida e bebida, casa e família, terras e gado, e tudo que possuo. Que supre com abundância todas as necessidades do meu corpo e da minha vida. Que me protege de todos os perigos e me guarda de todo mal. E que faz tudo isso por Sua divina bondade e por puro amor paternal, sem mérito ou merecimento da minha parte. Assim, agradeço e louvo a Deus, a quem servirei e obedecerei.”
Deus nos convoca à simplicidade do Evangelho, à vivência pura, pacifica e agradável de sua palavra.
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