Wednesday, August 6, 2025

Multiforme Graça Divina na Constituição Familiar

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A Multiforme Graça Divina na Constituição Familiar

Introdução

O debate sobre o padrão adequado de constituição familiar tem sido tema de estudos sociais, filosóficos, humanistas e teológicos. Tradicionalmente, a família nuclear, composta por homem, mulher e filhos, é apontada por muitos grupos religiosos como modelo ideal, enquanto outras formas são vistas como desvios do padrão “correto”.

Entretanto, a Bíblia apresenta diversas formas de constituição familiar, indicando que a graça de Deus transcende definições humanas. Este estudo busca analisar essas diferentes formas à luz das Escrituras, ressaltando a centralidade da vontade divina e do amor como fundamento da família.


Desenvolvimento

1. Família Substituta

A Bíblia apresenta exemplos de famílias constituídas por adoção ou cuidado substitutivo. Moisés, após ser desmamado, foi adotado pela filha de Faraó, tornando-se seu filho de coração: “E a filha de Faraó disse: ‘Este é um dos filhos dos hebreus’; e ela lhe chamou Moisés, e ele foi por ela como filho” (Êxodo 2:10). De maneira similar, Samuel foi criado no templo pelo sacerdote Eli, recebendo cuidado parental e educação espiritual (1 Samuel 2:18-21; 3:1). Tais exemplos evidenciam que a família pode ser formada por laços de amor e cuidado, mesmo sem vínculo biológico.

2. Família Monoparental

O modelo monoparental também é reconhecido nas Escrituras. A viúva de Suném recebeu ajuda de Eliseu, demonstrando que mães podem formar famílias sólidas e receber bênçãos divinas mesmo na ausência do pai: “A viúva disse a Eliseu: ‘O teu servo meu marido está morto, e tu sabes que o teu servo temia ao Senhor’” (2 Reis 4:1).

3. Família Afetiva

O relacionamento entre Rute e Noemi evidencia a constituição de famílias baseadas no afeto, na fidelidade e no companheirismo, independentemente de laços sanguíneos: “Para onde quer que fores, irei eu; e onde quer que pousares, ali pousarei eu. O teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus” (Rute 1:16). Essa forma de família ressalta que os vínculos emocionais e espirituais também têm validade diante de Deus.

4. Família Parental

Ester foi criada por seu primo Mordecai, demonstrando que o cuidado parental pode assumir formas não tradicionais: “Mordecai tomou Ester, sua filha, para criá-la como filha” (Ester 2:7). Essa prática evidencia que a parentalidade pode se estender além da biologia, enfatizando proteção, orientação e educação.

5. Família Nuclear

O modelo clássico de família nuclear é exemplificado por Isaque, Rebeca e seus filhos: “E Rebeca amava a Isaque; e Isaque se afeiçoou a ela, e ela lhe deu Jacó e Esaú” (Gênesis 25:28). Este caso representa o padrão tradicional, reconhecido e valorizado na tradição judaica e cristã.

6. Família Expandida

Jesus amplia a definição de família, afirmando que aqueles que fazem a vontade de Deus são seus verdadeiros familiares: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E, estendendo a mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Porque quem fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e mãe” (Mateus 12:46-50). Este conceito enfatiza a dimensão espiritual e relacional da família.

7. Família Modelo/Messiânica

José, esposo de Maria, assumiu o papel de pai de Jesus, cumprindo a vontade divina: “Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo” (Mateus 1:16). Este exemplo demonstra que a família ideal não se baseia apenas em normas sociais, mas na fidelidade à vontade de Deus, com amor e obediência como fundamentos centrais (Lucas 2:1-7).


Conclusão

A análise bíblica revela que a constituição familiar não deve ser limitada a padrões humanos, mas orientada pela vontade de Deus. A multiforme graça divina permite que todos os que O temem e praticam a justiça sejam aceitos diante d’Ele (Salmo 15:1-5; Romanos 2:10-11).

Além da definição etimológica de “família”, historicamente associada a “escravo doméstico”, a Bíblia demonstra que os laços de amor, cuidado e fidelidade são os verdadeiros elementos que definem a família. O amor, como vínculo maior, deve permear todos os relacionamentos: “O amor é paciente, o amor é bondoso... E agora permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (1 Coríntios 13:4-13). Deus é a fonte de todo amor: “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1 João 4:8).

Dessa forma, a constituição familiar deve ser compreendida não pelo padrão social, mas pelo cumprimento da vontade divina, que se manifesta em cuidado, fidelidade, proteção e amor mútuo.


Referências Bíblicas

  • Êxodo 2:10

  • 1 Samuel 2:18-21; 3:1

  • 2 Reis 4:1

  • Rute 1:16-17; 4:13-17

  • Ester 2:7

  • Gênesis 25:28

  • Mateus 12:46-50

  • Mateus 1:16; Lucas 2:1-7

  • Salmo 15:1-5

  • Romanos 2:10-11

  • 1 Coríntios 13:1-13

  • 1 João 4:8

Comentários:


V.1-17        Mesmo sendo José pai adotivo, o Evangelho de Mateus traz a genealogia de Jesus de acordo com o sistema legal judaico. Mateus demonstra a linhagem real de Jesus, algo que para os judeus significava muito, em vista das profecias que ligavam Jesus a Davi. Lucas, por sua vez, aborda a genealogia de Jesus retrocedendo continuamente até Adão, talvez com o objetivo de mostrar o lado humano de Jesus. E, superando Mateus, Lucas fornece um número maior de antepassados de Jesus. Esta genealogia é considerada por alguns autores como sendo a genealogia da Virgem Maria, a genealogia materna de Jesus, o que explicaria parte das diferenças entre esta e a genealogia apresentada por Mateus.

V.1-17        Na genealogia de Jesus, encontramos a imagem da graça salvadora através dos tempos, em especial ao nos depararmos com o nome Raabe – (Juizes 2:1-24), que representa todas as pessoas, escravizadas pelo pecado, condenadas à destruição, mas que receberam a salvação em casa, ao abrir as portas para os servos de Deus – a fita de escarlata pendurada na janela de Raabe representa o sangue do cordeiro de Deus, que nos libertou em três esferas – (1) do poder do pecado – “eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” – (João 1:29); (2) da condenação do pecado – “Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.” – (Romanos 5:17); (3) e nos livrará do corpo do pecado. “(…) nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. – (1Coríntios 15:52-53).

V.16           Dizer que pessoas do mesmo sexo não podem constituir família é tão errado quanto dizer que Jesus era filho legítimo de José, ou que Deus privou José e Maria da vida sexual após o nascimento de Jesus (V.25). O que se sabe sobre a família em que Jesus nasceu é que, para além dos padrões sociais e religiosos da época, havia total coerência com a vontade divina, tanto da parte de José como da de Maria.

V.19-20      José, sendo justo (dikaios: o que anda de acordo com as leis de Deus e dos Homens), estava de acordo com a vontade de Deus, foi peça fundamental para o acolhimento de Jesus. Maria concedeu a nacionalidade, pois todo judeu deveria ser gerado no ventre de uma judia; José concedeu a linhagem real, pois era descendente de Davi.

V.21           O nome Jesus apontava para o propósito de Deus em relação à humanidade – Jesus: “Javé é a Salvação”.

V.22-23      As citações do Antigo Testamento fundamentam os acontecimentos em relação à vinda do Messias. O Antigo Testamento está no Novo e o Novo no Antigo: os livros se comunicam, apesar das diferenças de tempo, lugar, autores e propósitos.

V.23           Emanuel (Immanu-el): “Deus Conosco”. A obra de Cristo não se resume em apenas salvar as pessoas do poder do pecado e da morte, mas em estar com elas – o mesmo que salva é o mesmo que quer estar permanentemente conosco.

V.24           José é um exemplo de obediência, realmente um dikaios - justo.

V.25           Maria e José não tiveram vida sexual ativa até que Jesus nascesse. A partir de então, eles consumaram o casamento pelo ato sexual, de acordo com o costume dos judeus.

 

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